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Medo

Embarco de novo nesse medo, o medo que reinventa o prazer de navegar este mar nunca antes navegado, distingo na perfeição o desenho que, repentinamente, se torna sopro de desejo onde tudo acontece. Um de nós sussurra "como é bom!" e o outro cai sobre as estrelas da espera e ruma para um vento desconhecido. Outro de nós admite "que saudade!" e desata as amarras do desejo e lança a âncora na lua. A nossa nova morada. É então dobrado o cabo da boa esperança a golpes de crateras e cometas, de meteoros e pontos de exclamação, depois, depois pintamos o corpo no mar da tranquilidade, sentimos um beijo sossegado e olhamos os corais cá de cima, liberta-se então o cheiro, impregnando tudo aquilo que é consequência, a interrogação persiste e o ponto final clama por entrar neste enredo sem fim, sem limite e sem verbo, onde a busca pelo acento é feita por adjetivos solitários , onde o medo realça a escuridão, onde o medo pega ao acaso na palavra e transforma-a no texto da vida, a vida que nos espera, sem pontos e sem medo.
 

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O labirinto do tempo

Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.  

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente. 

Ser

Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)