Não me perguntes mais, segura-me nos teus braços, ampara o meu silêncio e as lágrimas que gritam enquanto dormes, de nada adianta querer chegar à fala com as palavras, entre os rumores que nos chegam e a infinita misericórdia, vive um ser de confiança, de transcendente sentido, de inteira verdade, herdada da vida, só para que a morte faça sentido, só assim repouso a mão na teu infinito mapa de sentido trágico que nos arranca do calor até ao fim do horizonte, até para lá da viagem, até para lá do luto e da agonia, até onde achas que conseguimos ver, mas é preciso ver mais longe, é...é preciso amar sem cura e confessar calado, é preciso, perante a beleza, perder-me diante de ti, recolher esse olhar perdido e entregar-me à dança, ao rodopio inventado entre o lápis e o pensamento, é preciso desenhar o não desenhado, é preciso encontrar a ilha dos amores, relatar doces escritos e naufragar diante desse teu ser, desse teu desejo, juntos ainda e para sempre, até quando quisermos.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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