Não tenho qualquer intenção de esculpir palavras ou desenhar pensamentos, não
tenho e jamais terei o prenúncio de fazer repousar as palavras antes de serem
ditas, comovo-me com a felicidade de uns olhos que choram de alegria,
intento nos passos a comoção da partida e o gáudio da chegada, repouso as mãos
nesse mapa de sentido trágico que comanda o caminho do horizonte, nada acontece
ao acaso e o acaso acontece por nada, até para lá do olhar, no palco desse
trágico e difuso corpo que não vejo mas que sinto, nada é mais intenso que a
intensidade de viver o que nunca foi vivido, nada é mais verdade do que a
verdade desconhecida, que saudade dessa viagem que percorre o meu âmago e se
deixa levar pelo mar de tormentas, que saudade do cheiro, do aceno, do aperto,
do caminhar e do estar só, que saudade desse altruísmo que desfaz o culto do
senso comum, que saudade da pintura, da tinta, do traço, do giz e do som sem
importância, que saudade do travesseiro e da história que ainda não me
contaste, que saudade de romper o equivoco e gritar o silêncio.
"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um chama-se ontem e o outro chama-se amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver." - Dalai Lama
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