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Equivoco


Não tenho qualquer intenção de esculpir palavras ou desenhar pensamentos, não tenho e jamais terei o prenúncio de fazer repousar as palavras antes de serem ditas, comovo-me com a felicidade de uns olhos que choram de alegria, intento nos passos a comoção da partida e o gáudio da chegada, repouso as mãos nesse mapa de sentido trágico que comanda o caminho do horizonte, nada acontece ao acaso e o acaso acontece por nada, até para lá do olhar, no palco desse trágico e difuso corpo que não vejo mas que sinto, nada é mais intenso que a intensidade de viver o que nunca foi vivido, nada é mais verdade do que a verdade desconhecida, que saudade dessa viagem que percorre o meu âmago e se deixa levar pelo mar de tormentas, que saudade do cheiro, do aceno, do aperto, do caminhar e do estar só, que saudade desse altruísmo que desfaz o culto do senso comum, que saudade da pintura, da tinta, do traço, do giz e do som sem importância, que saudade do travesseiro e da história que ainda não me contaste, que saudade de romper o equivoco e gritar o silêncio.
 

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O labirinto do tempo

Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.  

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente. 

Ser

Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)